
Insónia
A madrugada está quente, quente.
Faz vento. É um vento também quente e sufocante, e que arrasta consigo ruídos que me amedrontam. São folhas pelo chão; ramos de árvores que gritam num suplício de dor ao desprenderem-se da mãe árvore; redemoinhos a dançar nas esquinas elevando pó e folhas do chão, mas assusto-me.
São três da manhã e não consigo dormir, e não é do calor, nem do vento e sei lá se é do medo.
Vou á janela do meu quarto e a noite surge-me iluminada por um estranho, mas belo luar.
Eu sei que é Agosto e o luar em Agosto é rico em luz, mas hoje, o luar é diferente; tem uma luz brilhante e líquida que atravessa a madrugada da minha imaginação.
Olhei a Lua, e lá estavas tu deitada no seu quarto minguante, em paz, como se fosse o leito eterno, e dormias profundamente, mas sonhavas.
Da janela do teu quarto eu podia ouvir o teu sonho:
Dorme meu menino a estrela-d’alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti (…)
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti (…)



