segunda-feira, 18 de abril de 2011

 Não há memória de um domingo assim”


Domingo triste
Naquele domingo tinha ficado na caserna. Lembro-me de que me sentia muito triste, porque estava um dia muito bonito do outro lado das paredes do quartel, e eu, sozinho, ali fechado.

Todos tinham ido passar o fim-de-semana a casa, ver amigos, namoradas…
O dia bonito lá fora, tornava-se mais triste porque eu não tinha ninguém à minha espera.
Acendi um cigarro, deitei-me a olhar para uma lâmpada apagada no tecto da caserna. Na rádio, um relato de futebol punha ainda mais tristeza àquele domingo que nunca mais passava.
Lá fora, certamente muita gente saboreava o dia bonito. E eu, ali, naquela tristeza! Eu sabia bem que não eram os muros que me fechavam!
Manuel Martins da Silva

Nota: Texto escrito para o tema "Não há memória de um domingo assim" e publicado na colectânea NO BRILHO DOS ESPELHOS em 2009, Edição da USRM.

É um texto memorial e que relembra um domingo de Dezemmro de 1974, passado no Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria, em Tavira, quando aí me encontrava a tirar a especialidade de Transmissões. Um dia de solidão e tristeza.

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