segunda-feira, 18 de abril de 2011

SOLIDÃO

Solidão
Parei o carro no parque de estacionamento na Boa Nova. Fiquei de frente para o mar, com o farol ao meu lado esquerdo, agora apagado, agora adormecido, mas mais logo passará toda a noite atento à navegação.
Está calor apesar de ser Outono. Se não fossem as duas bandeiras ondulando, já rasgadas por terem passado todo o Verão esvoaçando, quase não se sentia que as folhas das árvores vão começar a cair dentro em breve.
No rádio passa uma música que me faz lembrar um videoclip, só falta incluir o rapaz de calções que esta lá em baixo na água junto às rochas, com uma mão segurando o telemóvel no ouvido, e com a outra gesticulando como se estivesse a descrever a conversa às gaivotas.
Está um dia quase perfeito. Só faltas tu para o completares. Tu, que não sei quem és, mas faltas cá.
Sem te conhecer, sem saber quem és, lembrei-me de ti. Lembrei-me que se existisses, poderias estar aqui comigo, de mão dada, a olhar o mar, e eu passaria a mão pelos teus cabelos e ficaria encandeado com o teu olhar, meio doce, meio enigmático, mas penetrante. Depois iríamos almoçar. Um almoço tardio. Ficaríamos sentados na esplanada com o mar ao lado. Pegarias na ementa, e escolherias uma salada e um bom peixe grelhado. A bebida, deixarias que fosse eu a escolher, porque saberias que eu escolheria um vinho branco do Douro bem fresco. Depois brindaríamos e sei que me irias dar um beijo suave e eu acharia que teria sido um almoço quase perfeito, se tu existisses, mas almocei sozinho.

Manuel Martins da Silva
Praia da Boa Nova, Leça da Palmeira, 29/09/2009
Nota: Exercicio de solidão; texto de escrita criativa para as aulas de literatura da USRM.

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